Uma verdade
Aja como se tudo o que você faz fizesse diferença.
Por que faz.
(William James)
Ele abriu a janela, caminhou até o canto direito da sacada e suspirou o mais fundo que pôde. Até respirar é difícil em meio a angústia, pensou.
Essa não era a primeira vez que escolhia aquele lugar para refletir sobre a vida. Somente ele, a escuridão da noite e algumas poucas luzes vindas de casas vizinhas.
Quanto tempo ainda permaneceria ali era sempre um mistério. Às vezes olhava pro céu, segurava um choro insistente e se dava por vencido. Viver é bom, chega de lamúrias. Em outras, só conseguia encontrar a paz depois de descer ao fundo do poço. E que caminho longo precisava percorrer…
Sentia como se algo o corroesse por dentro, como se fosse capaz de se esvaziar a cada lembrança. Pensava nas mil possibilidades dos últimos acontecimentos e em estratégias para retroceder as horas. Queria ter feito tudo diferente. Uma buzina distante acabava o colocando novamente no prumo: – não adianta se martirizar, o que está feito, está feito. E voltava a estaca zero.
Lembranças, possibilidades, estratégias. A facilidade com que se faz planos mirabolantes na hora da dor é realmente dispensável.
Nos dias de alegria ele nem sequer valorizava aquele canto sagrado. Certas semanas tinham tanta leveza, eram tão cheias de expectativas ou compromissos, que ele não via motivos para desperdiçar minutos preciosos em um lugar solitário como aquele. Por que estragar a intimidade que se tem com a tristeza quando ali se está?
A mente serena pede música, festa, risadas, conversas longas ao telefone. A falta de culpa combina com mesa de bar, mãos dadas e beijo na boca. Mas é claro que o turbilhão de pensamentos perturbados não deixava espaço pra nada disso. Uma sacada e o breu da noite acabavam sendo suficientes.
As horas insistiam em continuar passando, o coração teimava em ficar inquieto e a solução não era um fato cogitado. Pedir desculpas é fácil, difícil é convencer que elas vêm acompanhadas de sinceridade ou arrependimento. É tentar esquecer e não parar de pensar. Difícil é encontrar o caminho de volta. É perceber que, mesmo longo, esse trajeto pode ser rápido. Com paciência e fé a gente consegue encontrar uma cama elástica no fundo do poço.
Se tem algo que me deixa inquieta nestes quase 28 anos de tantas mudanças, tantos lugares, tantas pessoas, é abrir os olhos e ver que a vida continua, em cada lugar por qual já passei, mesmo sem mim.
Egoísmo?
Uso a palavra inquietação justamente para não ser mal interpretada. E porque talvez não saiba mesmo descrever de outra forma.
É claro que eu me considero abençoada (no mínimo) por em tão poucos anos de existência ter tido a oportunidade de viver tantas coisas diferentes e conviver com tanta gente do bem. Sinceramente? Nem de longe eu poderia chamar de tristeza o que sinto ao ver as fotos, os vídeos e os sorrisos de quem hoje está longe de mim. Pessoas que ainda andam pelas mesmas ruas onde tanto já andei ou vão a lugares onde tantas vezes enchi a boca para dizer que eram os meus preferidos. Sinto inquietação ao lembrar desses locais também. A vida segue por lá, eu sigo por aqui. E nessa eterna busca de ser feliz e realizada vou deixando pra trás o melhor de mim. Como se me despisse inteira, enfraquecesse até, a cada mudança, para crescer de novo em outro lugar ainda mais especial.
Não é que eu menospreze o passado, sabe? Mas também não o supervalorizo.
Todas as escolhas que fiz me levaram a cidades assim, especiais. Todos os degraus que subi me mostraram que vale a pena se arriscar, apostar no novo e aceitar essa espécie de metamorfose que o dia-a-dia me apresenta ou até impõe.
Hoje, por exemplo, eu me sinto tão ribeirão-pretana, tão orgulhosa deste interiorzão de São Paulo, que é até estranho pensar que há pouco tempo eu andava pelos Jardins ou pela Avenida Paulista como se fossem a extensão da minha casa. É, eu viro a página mesmo. E abraço de coração a próxima grande vida que tenho pela frente. Não acho que seja falta de sensibilidade, caso vocês tenham cogitado isso. Mas também não sei se consigo explicar. O fato é: sempre acredito que o que vivo hoje é melhor e mais importante. Sempre.
As várias vidas que eu vivi não voltam mais. Tudo bem… o que importa é que elas me trouxeram até aqui.
Eu queria ter escrito várias coisas aqui antes de viajar. Como foram os meus preparativos? O que estou levando na mala e na mochila? Onde vou ficar?
Enfim, queria. Pretérito imperfeito do indicativo.
São 23h do dia que antecede a viagem e recém agora consegui sentar na frente do computador com a certeza de que já fiz tudo o que precisava. Documentos xerocados, reservas e vouchers impressos, mala fechada, contas pagas e assim por diante.
Prometo que, na volta, tentarei escrever algumas dicas referentes ao que vi, ouvi e vivi. Diferentemente de quando fui pra Toronto, minha rotina na Europa vai ser muito corrida e não terei tempo para ficar escrevendo grandes posts. Mas já habilitei o roaming internacional e, como toda nerd que se preze, não pretendo ficar desconectada, principalmente do Twitter, minha menina dos olhos entre as redes sociais (para acessar não é preciso ter uma conta: www.twitter.com/lelidornelles). Lá vou escrever desde detalhes interessantes do roteiro nos três países até pequenas futilidades, como o esmalte escolhido pra viagem – já publiquei uma foto porque sei que a mulherada adora!
Quem quiser falar comigo, prefiro que mande DM, inbox no Facebook ou mesmo SMS, caso tenha o número do meu celular. Vou evitar olhar os meus e-mails! Ah, e os comments pendentes aqui vou ter que responder na volta, tá?
Beijo grande e até breve, queridos!
Alguns anos atrás, uma amiga querida escreveu sobre mim:
“Ela é daquele tipo de pessoa que nunca sabemos de verdade se já foi triste na vida. Está sempre pra cima, com um lindo e contagiante sorriso no rosto.”
E alguns dias atrás, uma colega de trabalho comentou:
“Não consigo imaginar você irritada ou chateada, Lu, vejo sempre você de bom humor, simpática com todo mundo.”
Antes de mais nada, é preciso que fique claro: não estou contando isso pra me autopromover, não. É que hoje decidi dissertar sobre como as coisas parecem e como, de fato, são. E por quê? Primeiro, por lealdade a vocês, pessoas queridas que me apoiam e torcem por mim há tantos anos. Segundo, por respeito a todos que já tiraram um tempinho dos seus dias para me escrever e-mails com histórias de vida inspiradas em textos publicados aqui. Espero que, de alguma forma, esse também seja de grande valia.
Eu fico triste, eu me irrito, eu fico brava e, às vezes, como todos vocês, eu acredito sinceramente que nada dá certo pra mim. É incrível o dom que o ser humano tem de ser melodramático em determinadas situações, né?
Então qual pode ser a diferença que faz com que quem não convive comigo não enxergue assim? Bom, talvez o fato de eu não me alimentar das coisas ruins. Já falei aqui outras vezes: tem gente que gosta de se fazer de coitado, de pessimista, de infeliz. E mesmo que aja desse jeito só pra chamar atenção, o sujeito acaba se envolvendo nesse sentimento de inferioridade e não consegue dar a volta por cima.
No meu caso, nunca me sinto triste, irritada ou brava por muito tempo. Mas como? Oras, eu me recuso, simples. Não faço da dor um alimento. Sempre tento transformar a mágoa ou a decepção em força e aprendizado pra seguir em frente.
Tem mais: como eu sou fã de tudo muito planejado, gosto de estabelecer prazos. E, assim, todas as coisas difíceis que já enfrentei jamais me arrasaram por mais de uma semana. Posso até chorar e me escabelar, mas só me permito isso até sete dias. Soa um tanto quanto racional ou prático demais? Provavelmente. Mas quem disse que a vida precisa ser complicada?
É claro que quando escrevo sobre isso, estou me referindo a problemas normais da nossa rotina – um erro no trabalho, uma briga com algum amigo ou ente querido, o fim de um relacionamento, o fracasso em algo que se apostava muito, a mudança brusca e inesperada, a doença que enfraquece, o dinheiro que não chega – mas todos nós conhecemos pessoas que já enfrentaram de cabeça erguida e sorriso no rosto tragédias muito maiores, não? Como dizem por aí, só sabemos a força que a gente tem quando ser forte é a única opção.
E esse é o recado que eu quero passar hoje pra vocês…
A tristeza não pode e nem deve ser regra na nossa vida. Tem que ser exceção.
O que pode ser pior do que enfrentar um vício devastador que faz com que você praticamente mude de personalidade e perca todo o senso de ética e responsabilidade? Ter algum parentesco ou conviver com quem é dependente, talvez?
Levanto essas questões não com a experiência de quem já viveu algo parecido, mas com a visão jornalística de quem ouviu muitos e muitos depoimentos chocantes nos últimos dias.
Há duas semanas, quando fui chamada para uma reunião sobre a nova série do Jornal da EPTV – Crack: O Fundo do Poço – onde assumi o papel de editora de texto, jamais poderia imaginar a forma como essa nova missão mexeria comigo. Já tinha visto, lido e ouvido bastante sobre o assunto, claro, mas seria a primeira vez que realmente me envolveria com essas tristes histórias de vida.
Hoje cedo, como boa CDF que sou, quis assistir todas as matérias de novo só para ter certeza de que não havia nenhum detalhe fora de prumo, antes de serem transmitidas. É verdade que, para editá-las, já tinha assistido a vários discos, decupado dezenas de entrevistas e até decorado alguns offs do meu colega João Carlos Borda. Ainda assim, hoje de manhã, meus olhos insistiram em ficar marejados, mais uma vez, ao ouvir certos testemunhos. Provavelmente por eu saber o contexto de cada um dos personagens ali presentes? É, pode ser.
Mas as perguntas não param por aí. Inconformada com a realidade que pude, de tão perto, presenciar, teimo em me perguntar: o que, meu Deus, faz uma pessoa experimentar o crack mesmo sabendo que é um caminho quase sem volta?
Por que a maioria dos usuários afirma que basta uma tragada para se tornar dependente? Como a pedra funciona no organismo, por que o efeito é tão veloz? O que pensam as mulheres que viraram traficantes, perderam o controle da própria vida, a guarda dos filhos e foram parar na cadeia?
Essas perguntas e muito mais – um retrato da dependência química em São Paulo, a falta de leitos para tratamento, as dificuldades da recuperação, o aumento da pedra entre os trabalhadores rurais – são destaque no Jornal da EPTV (nas cidades da região de cobertura de Ribeirão Preto, Campinas e São Carlos) a partir de amanhã, ao meio-dia. Conto com a audiência e a opinião de vocês!
Trago dentro do meu coração, como num cofre que se não pode fechar de cheio, todos os lugares onde estive, todos os portos a que cheguei, todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias, ou de tombadilhos, sonhando. E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.
Fernando Pessoa
Que eu cresci com uma vontade constante de viajar e conhecer ao vivo e a cores todos os lugares que os livros e filmes apresentavam pra mim vocês já sabem, não? Se realmente não, leiam este post aqui onde eu explico em detalhes.
Se sim, continuemos…
Hoje, perto de completar 28 anos, o meu sentimento é de pura gratidão por tudo o que a vida me proporcionou desde que me formei. A certeza veio cedo: eu sabia que só com muito estudo e trabalho poderia um dia realizar todos os meus sonhos e me tornar a pessoa que sempre quis.
E é isso, gente querida! Acho que não tem maneira melhor de recomeçar a escrever neste site do que com boas notícias! Estou há dois anos sem férias, há três sem viajar para o exterior e decidi que este era o momento de (enfim) conhecer a Europa. Espanha, França e Itália me esperam daqui a pouquinho, no mês de março!!! Diferentemente da viagem para o Canadá, quando fui sozinha e para estudar, desta vez vou acompanhada de uma amiga querida e “apenas” para passear. Feliz demais!
Pra terminar, nem preciso dizer que vocês vão junto comigo, né? Claro que antes de embarcar eu pretendo dar o ar da graça por aqui, mas já fica o aviso: aguardem muitas fotos e, principalmente, muitas histórias!
Um beijo e até breve.
P.S.: Amanhã à noite eu respondo os comentários pendentes nos últimos posts. Sorry pela demora!
Mal troquei as milhares de bonecas pelas fitas K7 com músicas de bandas que eu venerava e aquela velha história já começou:
- Olha, o mercado de trabalho é muuuito competitivo.
Seja nas conversas de família ou nos meios de comunicação, cresci ouvindo que a concorrência é grande e a gente tem que fazer de tudo pra ser melhor do que os outros. Com 7 ou 8 anos, muito antes de ter ideia do que isso realmente significava, lembro de me entristecer ao constatar que ser a segunda mais aplicada da aula podia não ser suficiente pra quem me cercava.
Corre, estuda, lê, aprende. Ufa!
Hoje, com quase 14 anos em cada perna, sinto-me muito mais aliviada quando o assunto é a concorrência.
Quando eu terminei a faculdade, pra ser mais exata, percebi que o negócio não era exatamente como me contavam. E o que eu quero dizer com isso? Que os meus inimigos – palavra forte, né? Também não gosto – não são e nunca serão o problema. O problema sou eu, sempre. Meu maior desafio, ano após ano, é lutar comigo mesma. É fazer tudo o que esteja ao meu alcance para me tornar alguém mais eficiente do que já fui.
Sou agitada, ansiosa, e tudo aquilo que vocês já sabem… e, principalmente por isso, ao escrever essas mal traçadas linhas lembro de uma frase que faço questão de recordar toda vez que me sinto prestes a explodir:
- Tens tal desordem dentro de ti, que criarás teu próprio inferno.
E é isso mesmo, sabe? O inferno não são os outros. Se algo me atormenta, profissional ou pessoalmente falando, preciso ter a consciência de que sou eu que tenho que resolver. Quem me cerca e se preocupa comigo, geralmente fala que preciso perder a mania de concentrar tudo pra mim, de querer ser forte e invencível. Mas não é bem assim. O que me move é a superação – como ser alguém menos egoísta, mais madura e com mais conhecimento? As respostas exatas confesso não saber, mas deixa que, mesmo a trancos e barrancos, acabo dando um jeito.
Quando se trata de amor/relacionamento, a coisa é parecida. Por que tantas e tantas vezes ao longo da vida eu tive a necessidade de cortar o mal pela raiz? Não é frieza, não é coração de pedra. É muito mais do que isso. Além de não gostar desse tipo de jogo, eu o acho completamente desnecessário.
Raciocinem comigo: se você precisa lutar por amor – como tantas pessoas enchem a boca com orgulho pra dizer que fazem – é porque não existe amor, ora essa. Quando duas pessoas se gostam e querem ficar juntas não há esforços, não há melindres, não há pedidos ou súplicas de atenção. Tudo flui naturalmente. E é por isso que, se eu vejo algo saindo do controle, prefiro ancorar o meu barquinho e pular fora. Sou o sonho de toda concorrência! Eu não entro no jogo e não faço a mínima questão de me rebaixar ao ponto de competir ou mesmo “brigar” por alguém. Eu simplesmente vou embora.
A vida é curta, a vida é bonita e eu sou otimista mesmo! Preciso me focar em mim. Nas coisas que me fazem bem. E não tenho tempo, muito menos estômago, pra me desgastar com qualquer tipo de competição que não envolva eu e eu mesma. A metáfora com uma corrida exemplifica bem: de que adianta sair correndo na pista, virando o pescoço pra trás a todo minuto, com a atenção voltada para os corredores que aos poucos vão chegando perto? Sinceramente, vai adiantar? A minha performance na corrida vai ser melhor? Pelo contrário.
Que tal então olharmos pra frente, com a cabeça erguida e um foco bem definido, e fazer de 2012 um ano mais eficiente e menos complicado? Quer um emprego difícil de se conseguir? Que tal então nem averiguar quantos profissionais farão a mesma prova ou entrevista que você? Não é muito melhor deixar de enrolar e estudar de verdade? Ou simplesmente confiar em tudo o que você já viveu/trabalhou?
Bom, pensei em como começar os meus escritos neste novo ano e espero que tenha conseguido passar pra vocês um pouco da mensagem que norteia o meu cotidiano. Desejo que nestes 366 dias possamos lutar menos com os outros e mais com a gente.
Que tenhamos coragem de sobra, alegria que transborda e muita paz no coração!
Feliz 2012, gente querida!
23 de dezembro de 2005: seis anos se passaram, mas, ao fechar os olhos, lembro de vários detalhes como se tivessem acontecido ontem.
Acordei muito cedo, não queria desperdiçar nenhum momento daquele dia. No salão o tratamento foi completo: unhas, cabelo, maquiagem. No almoço, quase nada. Eu acho que eu nem sentia fome, mal lembrava que precisava comer.
O calor era intenso e desnecessário, mas não incômodo, como de costume. A amiga inseparável estava ao meu lado, desde cedo. Nossa felicidade era tão grande que seria impossível mensurar, explicar em palavras. Pra mim, um sonho de criança se concretizando. Pra minha família, a distância, a grana curta e o sacrifício sendo recompensados. Pra todos, uma felicidade plena. Aquilo era tudo o que eu mais queria na vida.
Não bastasse brincar de moça do tempo, inventar programas televisivos e me vestir de homem pra parecer o Cid Moreira, até um jornal impresso eu inventei com notícias da família e dos vizinhos. Dividia as Barbies e o vídeo game com brincadeiras jornalísticas desde muito pequena.
(Vocês já estão cansados de saber disso, mas enfim.)
O tempo passou e a vontade de ser jornalista não diminuiu. Tinha 15 anos quando fiz o vestibular pela primeira vez. Passei, mas não podia, claro, cursar. Dois anos depois, a possibilidade de não conseguir fazer a faculdade tirou meu chão. E quando tudo deu certo teve até festa surpresa dos amigos pra comemorar. Tomei muito banho de espumante nas ruas de Pelotas! Só o que me importava era a certeza de que no ano seguinte começaria a minha tão esperada graduação.
Foram quatro anos maravilhosos, cheios de desafios. Quatro anos de amizades verdadeiras, erros e acertos, noites sem dormir, madrugadas editando reportagens, projetos saindo do papel e outros ficando pra trás.
Aquele dia 23 passou voando. Todos os colegas enlouquecidos, nos bastidores do teatro, tirando fotos, dando risadas, falando bobagem. A entrada triunfal com a música do filme Star Wars, o convite inusitado onde eu estava vestida de Princesa Lea, as brincadeiras e cantorias no palco, aquela multidão nos observando e, principalmente, a hora em que a minha avó me entregou o diploma.
Não sei se consigo descrever com perfeição: lembro de descer as escadas, com aquela toga comprida, e pensar: – não posso tropeçar! Segundos depois eu já nem calculava meus movimentos, só queria abraçar todo mundo e mostrar que eu estava realmente feliz – no sentido mais abrangente e completo da palavra felicidade.
Não lembro da música do Van Halen tocando ao fundo, não lembro dos aplausos, das fotos, da gritaria vinda do meu camarote… mas lembro de pensar no meu avô, de toda a força e o apoio que sempre me deu, desde o início da faculdade. Do quanto estaria alegre naquele momento. Do quanto vibrava e valorizava a cada conquista minha. Lembro de olhar pra minha avó lá no palco, esperando por mim, pronta pra entregar o diploma, e ter uma convicção: – seja lá como for, ele também está aqui conosco.
Depois teve o anel de formanda, o abraço demorado, o choro… nossa, como chorei! Um misto de alívio com, sei lá, orgulho de ter conseguido chegar ali.
E mais tarde, entrar no clube onde aconteceu a minha festa e só enxergar o rosto de pessoas especiais foi a coisa mais maravilhosa do mundo. Eu só queria que aquele dia não terminasse…